os primeiros passos e opiniões formadas, uma turma e algumas cabeças pensantes, diga-se de passagem muito críticas, deu nisso!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Perguntas a partir do livro A arte da fazer um jornal diário, de Ricardo Noblat

1. Muitos alunos de Jornalismo entram na universidade anunciando: "Eu quero trabalhar em rádio e cobrir esportes". Outros falam da vontade de fazer matérias sobre rock e música pop. Será possível, no seu entender, conciliar essas ambições com o que Ricardo Noblat afirma no capítulo III: "O jornalista que gosta de escrever só sobre alguns assuntos terá menos chances do que outro capaz de escrever sobre qualquer assunto"?
 Acho que sim, pois todas as pessoas têm as suas preferências, e os jornalistas não são diferentes. Mas, mesmo tendo suas preferências por determinados assuntos nada os impede de escrever sobre outros assuntos, como fazem a maioria dos jornalistas hoje em dia. Jornalista que escreve bem escreve bem sobre qualquer coisa, jornalista que escreve mal, não importa o assunto abordado, o texto vai ser ruim do mesmo jeito. O diferencial para o jornalista não é escrever sobre vários assuntos, e sim estar informado e conhecer um pouco de vários assuntos.

2. Ricardo Noblat propõe em seu livro que o lead convencional "é inimigo do prazer que a leitura de um texto pode proporcionar". Como redigir um lead que desperte a curiosidade dos leitores e os faça ler todo o texto?
Primeiramente escrevendo-o de uma forma diferente, de uma forma criativa, que aborde outros ângulos da notícia. Pois a notícia que está saindo no jornal retrata um fato acontecido no dia anterior, e por se tratar de uma notícia que não está sendo noticiada em tempo real, conseqüentemente, já foi divulgada pelas mídias especializadas no dia anterior. Ou seja, os leitores já sabem de cor e salteado essas informações. Outro fator importante para que o lead desperte curiosidade nos leitores é não entregar toda a notícia nas primeiras linhas, e sim ir dando as informações aos poucos para o leitor, de forma que ele tenha vontade de ler o texto até o final para ficar inteirado da notícia.

3. Na página 27, no capítulo "Jornalista não é deus", Noblat reforça a importância dos princípios éticos na profissão de jornalista. Ele condena a obtenção de informações por meios fraudulentos. No entanto, mais adiante (página 56, no capítulo "Nada é como parece"), o autor conta um episódio em que ele próprio usou desses artifícios (Noblat se passou por outra pessoa). O que você pensa sobre essas duas posições?
Acho que ele claramente se contradiz. É aquela velha história do faz o que eu digo, mas não faz o que eu faço. Penso que existem vários fatores que influenciam diretamente para o jornalista tomar essa posição. Como a empresa para qual ele presta serviço, se ela segue os princípios éticos e até que ponto ela os segue, e a ambição do jornalista em dar um grande furo e ter o seu trabalho reconhecido. Para mim, os únicos motivos em que são justificáveis deixar de lado os princípios éticos são para reparar injustiças ou salvar vidas, que não foi o caso de Noblat. Ele foi totalmente antiético e contrário as suas próprias convicções.
 
4. "Tenho dois filhos que estudam Jornalismo. Uma vez, formados, eles poderão enganar seus interlocutores para extrair informações e depois traí-los. Minha filha, que se formará em Pedagogia, porém, deverá ensinar ao seus alunos que é errado mentir e trair". Com base nesse comentário de Noblat, como você avalia a questão da ética na profissão do jornalismo?
Vejo que a ética está sendo deixada de lado pelos jornalistas. O jornalista acha que pode tudo, que está acima da lei e de Deus. E a única coisa que importa é alcançar os seus objetivos, não importando os meios utilizados para que isso aconteça. Para mim, a única forma deste tipo de prática parar de acontecer, ou pelo menos diminuir, é se as instituições de ensino do jornalismo começarem a dar mais atenção à ética, no processo de formação de futuros jornalistas e os conselhos de jornalismo estipularem punições severas para jornalistas que passarem por cima da ética profissional. Só Assim teremos um jornalismo mais ético e de maior credibilidade.

5. Faça um comentário geral sobre o livro, mas que seja bem pessoal. Diga se você gostou ou não e por que motivo. Acrescente: que lição maior você vai guardar dessa leitura?
Para mim foi de grande valia a leitura deste livro, pois pude esclarecer muitas dúvidas que tinha sobre a profissão de jornalista. Inclusive acho que este livro deve ser o livro de cabeceira de todos que pensam em um dia ser jornalista, pois Noblat esclarece de forma minuciosa as principais atividades da função de um jornalista. Escrita, apuração, entrevista, ética, diferença de notícia e reportagem, estilos, entre outros. Também deixa claro que nem só de prêmios e reconhecimentos é feita a carreira de um jornalista, mas de muitas dificuldades e principalmente muitas inimizades. Mas a maior lição que pude tirar dessa leitura foi: sempre desconfie de um jornalista.
 
Daniel Vasconcellos

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